sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Jogo Individual vs Jogo Coletivo


Comparando individualmente os 11 jogadores titulares do Barcelona e do Real Madrid, ou até mesmo o plantel, facilmente se verifica um equilíbrio: para uns o Barça tem os melhores, para outros tem o Real. Na minha opinião ambas tem os melhores do mundo, uns têm ideias de jogo comuns, outros nem por isso!

Comparando coletivamente: domínio absoluto do Barça… Real Madrid 0-4 Barcelona!

Como é possível haver tanta diferença em termos de qualidade de jogo, de domínio, entre duas equipas que em termos individuais são tão próximas?

“O todo é maior do que a simples soma das suas partes” citando Aristóteles.


A expressão acima transcrita em muito se relaciona com a filosofia/ideia de jogo/modelo do Barça. Jamais um jogador vencerá uma equipa. 

Ter os melhores ajuda, mas não é tudo. A grande diferença está na forma como todos os jogadores do Barça percebem a filosofia/ideia de jogo/modelo e acreditam que aquela é a melhor forma para ganhar, refletindo a existência de uma identidade coletiva. 

Como é que a equipa percebe e interpreta tão bem as suas ideias? Na minha opinião, entre outros fatores, existem dois elementos preponderantes: o processo de treino e a cultura de clube!

No último clássico entre Real Madrid e Barcelona, o primeiro golo do jogo, marcado por Suarez, representa na perfeição o jogo coletivo a que me refiro. A capacidade que a equipa tem em oscilar o ritmo de jogo através do passe é notável, num momento quase que adormece, noutro parece que decidem à velocidade da luz. 

Vídeo (Golo 0-1 1'19'' até 1'36'')


Comentário ao vídeo:
Sergi Roberto – Olhar antes de receber, jogar para quem está de frente, jogar entre linhas e entre adversários, toque, tomada de decisão. Incrível como emergem da cantera estes craques à Barcelona. Não é um craque qualquer. É à Barcelona, com comportamentos/perceção do jogo dentro da linha de Iniesta, Busquets e Xavi. Vejam como joga sem bola quando a equipa a tem! 

Iniesta “com bola um passo atrás” campo grande. Era para receber a bola?
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Os pormenores que rapidamente se tornam “promaiores”, sub-principios que são de uma importância crucial para este jogar. Estes comportamentos, fruto do treino e da crença que há no jogar desta forma, tornam-se num hábito motor, emergindo de forma natural no decorrer do jogo, quase como se de atos involuntários se tratassem. 

A oscilação de ritmo/velocidade de jogo que o Barça impõe exige perceção do que é que o jogo naquele momento pede, e para tal tem que ter em consideração um conjunto de fatores tais como a zona da bola, o posicionamento da equipa adversária, o posicionamento da própria equipa. A grande questão parece-me a capacidade que todos ou quase todos os jogadores têm em jogar sem bola, quando a equipa a tem na posse. Jogar em função do colega, não olhar só a bola. Muitas vezes é visível a mobilidade que alguns jogadores dão, não tendo por objetivo receber a bola, mas sim abrir espaço para alguém entrar, ou até para o portador progredir. Isto tem muito de sentido coletivo, tal como o passe para quem está de frente para o jogo. Há respeito pelas ideias, pelos movimentos dos colegas; não há espaço para egos e individualismos. 


O plano de jogo de Rafa Benítez para o Clássico assentou claramente no jogo individual, colocando os craques todos, à espera que estes - que do ponto de vista individual são igualmente monstros - resolvam. A verdade é que normalmente funciona, face à diferença de “armas”. No entanto, com equipas similares fica mais difícil esperar que os jogadores “sozinhos” ganhem o jogo!

Tiago Coelho

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